20 de mai. de 2008

A vida que ninguém vê

Confesso que subestimei os temas abordados no livro “A vida que ninguém vê” da jornalista Eliane Brum. Comecei a ler com certo receio. De primeira impressão, achei que seria somente um contar de ‘historinhas’, as quais nos remetem a pensamentos e reflexões a cerca da miséria do povo. Grande engano. Quando você se depara com os textos, o fato de estar redigido com características de crônicas nos reporta aos sentimentos ‘talvez’ vividos por ela e, na forma como estão dispostos, nos envolve dando dimensão do ‘real’ que nos passa despercebido.




Lugar comum

Eliane por ser jornalista tenta sair do lugar comum onde qualquer um poderia descrever as cenas, de forma simples ou sem dimensão do que realmente estava se passando. Ela torna cada fato um ‘ilustrar épico’, ou cada situação digna de uma epopéia como em os Lusíadas de Camões. Um ponto importante de se ressaltar é a sua preocupação em não tornar as histórias relatadas, em uma novela ou em um divã, como em programas de televisão que expõem artistas, mostrando suas famílias e induzindo o expectador à compaixão, pelos próprios.

No livro “A vida que ninguém vê”, de fato como Eliane aborda dificilmente alguém veria. Infelizmente tornou se habitual conviver com situações a qual ela expõe, por exemplo, no relato do mendigo que passa o dia olhando para o chão. Eliane quando nos remete a essas realidades torna cada fato ou cada pessoa em um ser único, ou seja, apesar de muitos nunca terem a oportunidade de andarem de avião, o fato de muitos, não corresponde ao fato de um único senhor carregador de bagagens, de um aeroporto, nunca sequer ter entrado no avião. Para ela cada historia é em si peculiar a sua realidade.


Ficção

Do livro o que se pode entender como realidade? Quando li a obra, a primeira coisa que veio a mente foi: “Como ela chegou a essas impressões dos fatos de cada vida relatada?”. Há no livro muitos traços e sentimentos próprios da Eliane, mas por tal não reduz a significância elevada pela obra em sua importância.

Hoje jornais como “O Diário de São Paulo”, trazem historias parecidas em sentido de retratar o cotidiano (Apesar de que o sensacionalismo não nos permite a essa comparação), mas em síntese, o livro torna-se correlato a uma folha do cotidiano em um veículo de comunicação. Por essa questão, acredito que a autora tenta por meio de crônicas, desvincular suas impressões ao simples relatar factual do cotidiano das personagens abordadas. Dessa forma a leitura ganha seu brio e conduz o leitor ao sentimento de introspecção e reflexão sobre cada tema abordado.

Esse livro rendeu a Jornalista/Escritora Eliane Brum o prêmio Jabuti 2007. O mais tradicional e prestigiado prêmio literário do Brasil, promovido pela Câmara Brasileira do Livro.


Bibliografia:
BRUM, Eliane. vida que ninguém vê, A. 1 ed. Arquipélago, 2006.

A. Oliveira
Jornalismo - 3º Semestre - Noturno

Um comentário:

Jacqueline Alves disse...

Hum, esse livro me parece interessante...tem na biblioteca ou terei que procurar na Saraiva?

Beijos, querido =D
Blog muitoo bom...

 

Prefeitura de Embu - Notícias

Parque Francisco Rizzo

Estância turística de Embu das Artes


Telefones úteis

  • Pronto-Socorro: (11) 4785-0155
  • Guarda Civil: (153)
  • Policia Militar: (11) 4781-2572
  • Bombeiros: (11) 4667-7890
O Embuense