30 de ago. de 2009

Com direito a "Ola"



Teatro Municipal.



Centro de grandes espetáculos tem aberto suas portas ao grande público em eventos como a Virada Cultural. Outrora, somente local de figuras burguesas, idôneas, hoje tem sua ocupação com o público médio (Sem deméritos) que, sem tanta polpa, visita o local e se apropria como se a ele o fosse habitual. No show, Sá, Rodrix e Guarabyra “Álbum - Passado, Presente, Futuro (1972)”, o povo adentrou ao espaço do Municipal como quem entra no metro, ou a qualquer outro lugar peculiar. 

 Haja á vista, a acumulação na nave central do teatro. Por tal, apesar de aparentar displicência de minha parte, não pude deixar de notar como é o comportamento das pessoas, em contraste com o local e sua magnitude. Além da gritaria exacerbada, até uma ‘ola’, comum à estádios de futebol, foi ensaiada pelo público que se localizava a esquerda do palco no canto superior. Cantoria de parabéns, palmas descompassadas e muita balbúrdia para o início do show. Com a música “Zepelim”, nunca dantes apresentada ‘ao vivo’, como citado por Rodrix, o público silenciou e assistiu a um espetáculo que, para muitos, não se faz à seu habitual. 

 Ao meio do show, Sá, eloqüente em sua pronuncia, trouxe um “retrato” da construção nas obras da banda. Ele comentou que, quando ia ao apartamento do Rodrix, para compor, o vizinho do apartamento de baixo batia com a vassoura no teto para que eles parassem de tocar, contudo, continuavam. O show foi marcado por recordações. “Nós nos preocupávamos com valores interioranos, que se perderam em relação aos valores urbanos”. A esse comentário, Sá revelou que fez uma musica: “Crianças perdidas”, para a cidade de seu pai. “Quando voltei lá tinha certeza que era pra ela...“. Ao encerramento do show, o público efusivamente ecoou para que eles retornassem. Pedido atendido. Retornaram e com uma seqüência de quatro musicas concluíram o espetáculo. Foram elas: “Casa no campo”, “Caçador de mim”, “Espanhola” e a abertura, “Zepelim”.


Foto: http://www.flickr.com/photos/26084435@N06/2447558705/ - Virada Cultura 2008 


Alexandre Oliveira

30 de jun. de 2009

Eliana Zagui - Uma história de Superação

“Queria poder algum dia na minha vida, ter a experiência de permanecer uns dias fora daqui.”

A história da mulher que vive há 33 anos em um quarto no Hospital das Clinicas em São Paulo.



São Paulo. Para quem sempre se utiliza do metrô Clínicas, que fica a poucos metros do Instituto de Ortopedia (HC), não imagina que há 33 anos Eliana Zagui, 35, reside nesse que se tornou seu lar após ter contraído o vírus da poliomielite quando tinha um ano e nove meses de idade. Ela é natural de Guariba (SP) onde vivem seus pais Carlos Zagui e Tereza Jorge Vilkas Zagui. Eliana é uma exímia pintora de quadros com a boca, técnica que vem adquirindo há 11 anos com a voluntária Ursula J. Carvalhaes e já obteve reconhecimento na suíça por meio de exposições. Com extrema destreza manipula o pincel em sua boca como se o fizesse com as mãos. A duras penas obteve essa autonomia. Ursula demonstra extrema admiração por sua tutelada e enche-se de orgulho ao descrever seus primeiros passos para adquirir tamanho nível técnico. Enquanto conversávamos, Zagui, em meio a risadas tomava seu suco com um canudinho desempenhando sua “performance” extremamente eficiente, não derrubando uma gota sequer e ajeitando o copo apenas com uma palheta. Eliana respira por meio de aparelhos sem os quais só agüentaria 6 horas.




No quarto A123, reside com mais um colega, Paulo Oliveira, desde sua infância, também portador de Poliomielite. Almoça cedo por motivos de regulamento interno. Ela gosta de comer pizza. Eliana tem uma rotina cheia para um portador de Pólio. Ela escreve um livro autobiográfico iniciado em 2002, por idéia de uma enfermeira à época, o qual pretende lançar em 2010 pela editora Bela Letra. Gosta de navegar pela internet (digita eficientemente bem e rápido). Esta cursando o ensino médio onde pretende, após concluí-lo, se graduar em psicologia.



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23 de mai. de 2009

15 de abr. de 2009

Em que posso ajudar...?

Em um minuto é impossível se fazer muitas coisas, há quem diga o contrário (nós tele-operadores). Mas para um profissional que trabalha em Call Center a palavra “não” é pecado e a religião adotada nas empresas desse ramo ortodoxas puritanas é viril. O atual modelo brasileiro instituído por lei adota que, o atendimento por meio do telefone tem que ser o mais rápido possível e de qualidade (não esqueçamos), exigindo assim que empresas que ofertam esse serviço se adequem para tal façanha. Sobrou para o operador. Stress, depressão e baixa estima rola solto nas centrais de atendimento.


Telefone sem fil...

Aquele Abraço...

Wilma e Itagyba Kuhlmann
ITAGYBA KUHLMANN é meu referencial. Para quem não o conheceu (uma pena), filho do pesquisador Moisés Kuhlmann, um dos fundadores do Jardim Botânico de São Paulo em 1928, ele foi além de poeta e criador de coelhos, um exímio jornalista político. Seu patrimônio intelectual não está editado. Ele nunca se propusera a tal façanha, mas algumas de suas crônicas e artigos estão disponibilizados através dos extintos jornais Fato Expresso e Cidades da Serra e na revista Contemporânea. Seu pseudônimo mais conhecido é o “Tio Marcos da Portela: - Aquele Abraço!”

Preludio

Entrei para a família recentemente, contudo os conheço há anos. Participei do Coral Municipal de Embu, “Cantares a Meu Povo”, nome em referência a obra de Solano Trindade, sob regência de Wilma Abondanza (Dona Wilma) até 2008. Lembro que quando comecei no coro, como tenor, pois minha voz não tem timbre para "baixo" que me entristecera um pouco na época, Itagyba simples e sereno às ordens magistradas pela regente, sua esposa, dava o tom firme com sua voz grossa e veemente, embalando nossos ensaios na Biblioteca Municipal Moacir F. Jordão, no centro do Embu. Era uma diversão. Mais empolgante que as próprias apresentações. Sempre havia uma nova toada, com vocalizes e exercícios musculares a luz apagada para não deixar ninguém envergonhado. Quando afinávamos e executávamos por completo uma obra como “Estrela Estrela” de Vitor Ramil ou “Cio da Terra” de Chico Buarque, uma paz assolava a sala fria e desconfortável que nos abrigava. Era um esplendor. Lembro-me de sempre fechar os olhos nesses momentos e deixar fluir o som por meus pensamentos. Fantástico!
"...uma paz assolava a sala fria e desconfortável que nos abrigava. Era um esplendor..."

Nas apresentações Itagyba era acolhedor com seu sorriso discreto. Sempre que chegávamos, ele nos recebia como um paizão mesmo. Lúcido até o extremo e simples com seu ar poético, era o contraponto da Dona Wilma. Ela sempre brincalhona e extravagante com suas piadas e deixas. Naquela época eu não imaginava que algo poderia acontecer entre a minha pessoa e o rebento mais lindo produzido pelo casal: Mayra. Ela, tímida, mas de personalidade forte, não me despertara sentimentos "quentes", e sim, porque não, uma inveja boa pelos pais que possuía. Na verdade, acho que todos que os rodeavam queriam de alguma forma fazer parte daquela família, e faziam, pois a todos Itagyba e Wilma acolhiam fraternalmente.
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